Em um cenário de tensões geopolíticas, cresce a preocupação de governos e empresas com a dependência de infraestrutura digital localizada no exterior. Essa discussão, conhecida como soberania digital, envolve desde data centers e armazenamento em nuvem até o processamento e a proteção de dados. Para o Brasil, o cenário ainda é desfavorável. O déficit na balança comercial de serviços de computação e informação quintuplicou em dez anos, passando de US$ 1,5 bilhão, em 2016, para US$ 7,9 bilhões no ano passado, segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom).
“soberania digital pressupõe infraestrutura no território nacional”, afirma Charles Schramm, gerente executivo da FGV Projetos, que cita impactos econômicos relevantes. Segundo ele, o investimento em um data center de 100 MW gera impacto de US$ 1,5 bilhão no PIB, com possibilidade de gerar 12,5 mil empregos diretos e indiretos e de movimentar diferentes setores econômicos e regiões no país.
Outras questões são mais sensíveis. Sthefano Scalon Cruvinel, CEO do escritório de perícia EvidJuri, lembra a complexidade de análises de responsabilidades em eventos como vazamentos, falhas, cibersegurança, sumiço de dados ou fraude relacionada a data centers ou nuvem.
“Desconfianças jurídicas ainda levam empresas gigantes a não aceitarem a computação em nuvem”, observa.
Diversos países já transformaram a busca por autonomia digital em políticas públicas. Ilson Bressan, CEO da Valid, especializada em identificação segura, aponta iniciativas como o projeto europeu Gaia-X, com arquitetura federada e padrões comuns de interoperabilidade, privacidade e segurança com governança compartilhada entre setor público, empresas privadas e academia, e o MeghRaj indiano, nuvem governamental oficial que padroniza o uso de nuvem entre órgãos públicos.
Fonte: Valor Econômico
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